domingo, 6 de outubro de 2019


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DISSIDÊNCIAS
(Zetti Nunes)

Este texto no geral foi extraído do livro “Em defesa dos animais” de Matthieu Ricard na parte “Vozes Dissidentes”. É um resumo, por isso na maior parte dispensei as aspas.

O poeta romano Ovídio tem comigo algumas coincidências. Era ele além de poeta, vegetariano. O que deveras surpreende é que nasceu no mesmo dia mês e ano que eu, porém antes de Cristo! Vejamos: nasci em 20/03/1943. Ovídio em 20/03/43  aC. Escrevi um texto com título “Metamorfose” e Ovídio um livro com o título “Metamorfoses”.
Transcrevo um trecho onde transparece seu lado sensível que se parece comigo:
“Há o trigo,
Os frutos que vergam
Com o seu peso os ramos flexíveis;
Uvas que amadurecem nas verdes videiras;
As ervas comestíveis e os legumes;
A terra é pródiga...”
“...oferece em vossas mesas tudo o que não exige sangue nem morte...”
“Quanta desgraça e maldade em fazer nossa própria carne engolir carne...”
“...em nutrir uma criatura viva com a morte de outra.”
— Ovídio, sou o vídeo de você!

São Francisco de Assis pedia aos irmãos que venerem e reverenciem tudo o que vive. No entanto, em nenhuma de suas biografias, se diz que ele era vegetariano. Veja bem: em nenhuma! É o que pesquisou Matthieu Ricard. É  claro: seus biógrafos engoliam animais, mas não digeriam isso e nem o que disse o arcebispo Robert Runcie: se Deus fez tudo com amor, nada pode ser de pouco ou nenhum valor. (parece ele com São Francisco, não?)
Essa teologia não só é abrangente e coerente, é bela. Quero dizer: se temos o poder nas mãos é para proteger e zelar. Os cristãos empobrecem a “misericórdia” ao restringi-la somente aos humanos e a alguns animais.
Resumo também o que disse um outro Francisco o Papa atual, na sua encíclica “Laudato si”:
“...numa comunhão universal nada e ninguém fica excluído..”
“...é contrário à dignidade humana fazer sofrer inutilmente os animais e dispor de suas vidas de modo indiscriminado.”
Meu caro Fratelli: só falta a você ser coerente com suas palavras e entrar para a confraria... dos vegetarianos!
O padre vegetariano e filósofo Jean Meslier também foi exceção na Igreja, mas depois se tornou ateu. Julgava ele a crueldade dos cristãos semelhante a esse mesmo Deus hostil aos animais.
Caro Jean: desse “deus” minúsculo também sou ateu.
Aqui onde moro fui num culto evangélico em que havia uma dúzia de pessoas e o palestrante que me conhecia disse para todos ouvirem e citando a Bíblia que Deus gosta do cheiro da carne assada. Aí fiquei imaginando Jesus atrás do balcão de um açougue com um avental branco e manchado de sangue! Valha-me Deus Orlando para esse teu deus, sou ateu.
Há dois séculos e meio atrás o pastor anglicano James Granger fez um sermão a favor da proteção aos animais e alguns membros da sua Igreja julgaram que ele tinha enlouquecido!
Atualmente outro anglicano e teólogo Andrew Linzey tem livros escritos sobre a questão animal. É contundente, por exemplo, o que ele diz sobre o massacre de focas para a venda de seu pênis como afrodisíaco.
É o tal antropocentrismo: se é bom para nós, que se danem os animais.
Diz o Francisco Papa na encíclica citada que o coração é um só. Coincide com o que disse outro católico e poeta francês Afonso de Lamartine:
“Não temos dois corações, um para os animais e outro para os seres humanos. Ou temos um coração, ou não o temos”.



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